Boemia, aqui me tens de regresso… Na noite desta sexta-feira, São Bento do Una testemunhou o nascimento de um evento que já nasceu gigante, transformando o Vale do Una em um imenso palco de afetos e sonoridade.
A primeira edição da Serenata Vale do Una não foi apenas um desfile de músicos, foi um fenômeno social que arrastou uma multidão nunca antes vista na história da cidade para este gênero de celebração.
O que se viu nas ruas foi uma explosão de vida: longe de qualquer silêncio contemplativo, as famílias tomaram as calçadas com uma participação efervescente, cantando cada verso e celebrando a passagem da música com um entusiasmo contagiante.
Ao som de clássicos imortalizados por Nelson Gonçalves, Altemar Dutra e Núbia Lafayette, os músicos participantes não apenas tocaram instrumentos, mas entregaram suas almas seresteiras em um ato de resistência e valorização da verdadeira música popular brasileira.
Eram canções que preenchiam o ar com declarações de amor, relatos de saudade e, acima de tudo, uma profunda exaltação à mulher, resgatando a elegância lírica que atravessa gerações. Esse cenário proporcionou reencontros emocionantes e uma confraternização rara, onde a cidade parecia abraçar a si mesma em cada esquina.
O ponto mais marcante dessa noite histórica foi a comunhão absoluta entre os participantes. Ali, o músico de mãos calejadas por décadas de estrada e o jovem boêmio que agora descobre o encanto das serenatas caminharam lado a lado, nivelados pela mesma paixão e medidos pela régua da nostalgia. Não houve hierarquia, apenas a união de um povo que parou para ver e viver a poesia em movimento.
A apoteose desse encontro ocorreu na Praça da Matriz onde o destino final reservava o momento mais emocionante da jornada. Sobre as bençãos do Bom Jesus dos Pobres Aflitos, a multidão e os músicos se fundiram em um encerramento de arrepiar, elevando as vozes ao céu em um agradecimento melódico que ecoou pela torre da igreja.
São Bento do Una escreveu ontem um capítulo inédito e brilhante em sua trajetória cultural, provando que a música é o elo mais forte para unir corações e celebrar a identidade de um povo. … e suplicante te peço a minha nova inscrição!
POR: João Henrique Valença